segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pipoca de Microondas

Hoje vou estrear uma nova coluna no blog. Com a “Pipoca de Microondas” falarei sobre os filmes que não consegui assistir no cinema, mas que não foram esquecidos, apenas conferidos no aconchego do lar. Hoje, temos três filmes: G.I. Joe – Retaliação, Oz – Mágico e Poderoso e Moonrise Kingdom. Vamos lá?


G.I. Joe – Retaliação - A continuação de A Origem de Cobra (2009) dá um tom um pouco mais realista para o exército de elite. Os Joes e os vilões ainda têm seus gadgets e veículos, mas todos aparentam ter uma tecnologia mais próxima da atual. Mais James Bond e menos ficção científica. A história segue com a ponta que foi deixada ao final do primeiro filme. Zartan é o presidente dos EUA e arma um plano para aniquilar os Joes de uma vez. Depois de um ataque em uma base no deserto (um acampamento militar, muito mais real do que o esconderijo no subsolo do primeiro filme) poucos Joes sobram. Liderados por Roadblock (Dwayne “The Rock” Johnson, com o carisma de sempre) os sobreviventes vão atrás do Joe original (Bruce Willis, sendo Bruce Willis, o que sempre vale a pena) para derrotar Zartan e o Comandante Cobra (agora sim, igualzinho ao que me lembrava do bonequinho e do desenho!!). 

G.I. Joe – Retaliação é um filme de ação bem divertido. As cenas de ação são boas, principalmente as dos ninjas. O elenco é carismático e Jonathan Pryce (Zartan/Presidente) é destaque sempre que está em cena. Mesmo mais realista o filme tem uma aura mais G.I. Joe que o primeiro. Ah, e os veículos são iguaizinhos aos de brinquedo!


Oz – Mágico e Poderoso - Sam Raimi tinha uma missão ingrata nas mãos: fazer um filme de origem para O Mágico de Oz sem falar em Dorothy, Homem de Lata ou sapatinhos de rubí, mas tendo como foco apenas Oz e seu caminho até o palácio da Cidade das Esmeraldas. Para isso escolheu o seu parceiro na trilogia Homem-Aranha, James Franco para interpretar o mágico pilantra Oscar, que assim como Dorthy, também vai parar em Oz após um tornado. Lá, conhece uma terra fantástica em que uma profecia previa a sua chegada para derrotar a Bruxa Má e liderar o povo de Oz. Com um elenco estrelado, que tem o trio de bruxas Mila Kunis, Rachel Weisz e Michelle Williams (Theodora, Evanora e Glinda), além de Zach Braff e Bill Cobbs, Raimi nos apresenta o que aconteceu a cada personagem até que eles se tornem os clássicos conhecidos. Tudo isso com o que há de mais moderno em efeitos especiais e criando belíssimas paisagens e simpáticos personagens em CGI.

O ponto alto do filme está na lembrança dos elementos do clássico de 1939 que compõem o novo filme. Todos os atores parecem estar com um quê a mais de canastrice ou exagero, mas nada que impeça o filme de ser legal. Sam Raimi sabe fazer cenas de ação e aventura legais. Algumas tomadas em que a câmera que vai e vem entre os personagens são bem interessantes. A experiência é similar ao do Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton. Muito menos bizarro é claro.


Moonrise Kingdom - Wes Anderson é um dos diretores mais interessantes da atualidade. Seus filmes tem uma linguagem própria, uma esquisitice que a princípio pode incomodar, mas que depois é a responsável pela atmosfera que cativa. Foi assim com as famílias de Os Excêntricos Tenenbaums,  A Vida Marinha de Steve Zissou e com O Fantástico Sr. Fox. A família é mais uma vez um dos temas centrais da obra de Anderson. Aqui, o diretor mostra a aventura do primeiro amor do escoteiro Sam e da esquentadinha Suzy, dois jovens que são tratados como esquisitos e problemáticos pelos demais. Os pais de Suzy, os Bishops (Bill Murray e Frances McDormand) vivem juntos na mesma casa, mas já não são mais um casal. Já Sam é órfão e os pais adotivos não querem mais saber dele por causa de seus “problemas”.  A fuga dos dois vai mexer com a vida de todos na pequena ilha em que o filme é passado. Desde o depressivo policial (Bruce Willis, alternando com maestria o cinema de ação com filmes independentes) até todos os escoteiros do acampamento, liderados por Edward Norton (excelente).

Em toda sua esquisitice, Moonrise Kingdom consegue ser uma das histórias de amor mais originais que já vi. A estranheza de ver dois recém-adolescentes (simbolizados pelo bigodinho de Sam e pelo crescimento dos seios de Suzy) tendo um primeiro contato com seu par é sensacional. E é cotidiano. Uma camédia-drama-romance que fala sobre descobrimento, família e amizade. Moonrise Kingdom é agora o meu filme preferido de Wes Anderson.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um novo voo para o Superman

Lembro até hoje da expectativa que estava em 2006 para a estreia de Superman Returns. Nunca havia assistido à um filme do herói no cinema. Sempre vi Christopher Reeve lutando contra Gene Hackman ou Terence Stamp pela TV. Assisti também o Dean Cain ficar famoso como "o Superman da TV" no seriado Lois & Clark. Era chegada a hora de conferir na tela grande. E o filme contava com um cara que parecia o Christopher Reeve, um Lex Luthor feito pelo Kevin Spacey e com Bryan Singer, que fez um dos meus filmes de heróis preferidos, X-Men 2, como diretor. Era muito expectativa. Mas o filme não foi tudo o que eu ou os outros espectadores desejávamos. Não era ruim, mas o diretor trouxe para o cinema atual o Superman feito nas décadas de 70 e 80. As pessoas detestaram e o último filho de Krypton foi parar no limbo de Hollywood.

Nos anos seguintes, a Marvel, maior concorrente da DC Comics, criou o seu próprio estúdio e começou a enfileirar sucessos com Homem de Ferro e Vingadores. Já a DC viu o filme do Lanterna Verde ser destruído pelo público e pela crítica e o projeto do filme da Liga da Justiça, dirigido por George Miller, desabar quando quase tudo estava pronto para ser anunciado.

Dessa forma, a DC Comics e a Warner Bros. depositaram todas as suas esperanças na nova trilogia do Batman, que já havia obtido sucesso com Batman Begins e quebrou a barreira do 1 bilhão de dólares arrecadados com suas duas continuações. O público passou a louvar o diretor Christopher Nolan e as empresas acharam a esperança para trazer Clark Kent de volta. O diretor dos filmes do Cavaleiro das Trevas não quis comandar mais uma franquia, porém aceitou produzir "Homem de Aço". Para a direção chamaram Zack Snyder, diretor responsável por adaptações como 300 e Watchmen.

Coube então ao roteiro criar algo novo. Um Superman que pudesse começar uma franquia e dar o primeiro passo para eventos maiores. O roteirista David S. Goyer, também responsável por Batman Begins, criou uma versão do homem de aço que respeita a sua origem, que não apresenta Clark Kent como herói clássico, mas como uma força maior. E Henry Cavill faz um excelente trabalho como um personagem que foi criado como um de nós. Suas dúvidas e conflitos são tão humanas quanto as de qualquer um. A relação de Clark com Jonathan e Martha, seus pais na Terra, é bem explorada. Kevin Costner está excelente como o fazendeiro que mostra para o filho que ele pode ser a diferença para nós.

A história do filme é até simples: Krypton está em processo de destruição por conta da exploração predatória de seus recursos. Jor-El (Russel Crowe, ótimo) tenta uma forma de salvar o planeta, mas é impedido pelo General Zod (Michael Shannon, excelente) que tenta tomar o poder com um golpe. Jor-El consegue enviar o seu filho para a Terra antes da destruição e Zod promete vingança. A partir daí o filme dá um salto temporal e já conhecemos Kal-El/Clark Kent adulto. Sua criação na terra é contata em forma de flashbacks.

A história foca muito no espaço, na vinda de Zod e do perigo para a Terra e a ação desenfreada que surge nos combates do Superman.  Personagens importantíssimos na história do homem de aço, como a própria Lois Lane (Amy Adams), ficam em segundo plano. A paixão dos dois acontece e pronto. Não há desenvolvimento. Parece que o roteirista pensou "já que reclamaram tanto do filme anterior e da “romantização”, vamos dar “porradaria”, destruição e todos os efeitos especiais que o dinheiro possa comprar". Alguns furos no roteiro são notáveis: Metrópolis sofre uma destruição digna de um apocalipse, milhões de pessoas devem ter morrido, mas no corte para a cena final, já está tudo bem, todo mundo trabalhando normal.

Homem de Aço é um bom filme. Mais do que isso, ele é importantíssimo por trazer de volta o maior dos super-heróis. O filme já fez sucesso, agradou o público e já tem continuação garantida. Ainda não é o filme perfeito do Superman que queremos ver, mas pode ser o primeiro passo para que não caia no esquecimento por mais tanto tempo.



Ps.: A cena da chegada de Zod na Terra é sensacional. Um vídeo hackeado em todos os sistemas de comunicação do planeta. Mais atual impossível.


Ps2.: A excelente trilha sonora de Hans Zimmer não tem uma nota sequer parecida com a clássica de John Williams. Mais um desprendimento do passado. Que bom.









quinta-feira, 13 de junho de 2013

Há muita luz além da escuridão

Há algum tempo falei sobre Star Trek contando como foi assistir ao reboot do J.J. Abrams em 2009. Se você não viu, clique aqui para entender um pouco da expectativa de assistir Além da Escuridão - Star Trek. O que já adianto de cara é que J.J. Abrams acertou mais uma vez. E acertou em cheio. O novo filme é um dos melhores filmes da saga.

Quando comecei a gostar de Star Trek, a série clássica já havia se encerrado há, pelo menos, 25 anos. Assisti muito às reprises na tv paga e, mesmo achando muito engraçado aqueles cenários de papelão e borracha, a história de Kirk, Spock e McCoy eram sensacionais. Das continuações, vi muitos episódios de A Nova Geração, alguns de Deep Space Nine e pouquíssimos de Voyager e Enterprise. A verdade é que o que mais me fez gostar de Star Trek foram os filmes.

E a mesma sensação que tive quando vi pela primeira vez A Ira de Khan ou O Primeiro Contato, se repetiu nos cinemas quando vi Star Trek e agora Além da Escuridão - Star Trek. É impressionante como J.J. Abrams conseguiu trazer para o novo formato de cinema as aventuras da Enterprise. A maior genialidade está na linha temporal que o primeiro filme criou. É por causa dela, um dos maiores e melhores assuntos da ficção científica, que o diretor pode contar da sua forma a trajetória dos novos filmes.

Além da Escuridão começa com uma missão em um planeta primitivo, em que os habitantes parecem uma mistura de maias com tribos africanas, sob ameaça de um vulcão que está prestes a proporcionar uma tragédia. Logo de cara, já vemos Kirk e McCoy correndo como malucos, Spock no meio do vulcão e todo o elenco principal participando da cena. Toda essa dinâmica é mais uma das grandes qualidades do novo filme. Abrams e os roteiristas Alex Kurtzman, Roberto Orci, e Damon Lindelof, dão o espaço necessário para que cada personagem se desenvolva e tenha o seu momento na trama. Após os eventos no planeta, voltamos para a Terra e a Federação é atacada por um terrorista chamado John Harrison. Após um dos ataques, Kirk se habilita para caçar Harrison.

Mais uma vez o elenco está sensacional. Chris Pine e Zachary Quinto estão cada vez mais à vontades nos papéis de Kirk e Spock, respectivamente. A amizade e o conflito dos dois é explorado ainda mais, já que o capitão é explosivo e age sem pensar, já o vulcano utiliza toda a sua lógica e racionalidade. Spock tem mais espaço para a ação e para mostrar porque é o personagem mais querido da história de Star Trek. Quem volta a roubar a cena em muitos momentos, e é o meu personagem favorito do reboot, é o McCoy de Karl Urban. Suas tiradas, a cara fechada e seu jeito resmungão são sensacionais. John Cho e Anton Yelchin continuam ótimos como Sulu e Chekov. A cena de Sulu como capitão da Enterprise é excelente. Outros que ganham mais espaço no novo filme são Uhura e Scotty, que só aparecera depois da metade do primeiro filme. Há ainda a inclusão de Alice Eve, como Carol Marcus, e o "para sempre Robocop" Peter Weller, como o Almirante Marcus.

Mas quem merece um parágrafo para si é o novo vilão, que é interpretado por Benedict Cumberbatch. O inglês está sensacional como John Harrison, personagem que esconde um mistério que pode mudar o rumo da Federação e da própria Enterprise. É impressionante a postura de Cumberbatch durante o filme. Em um determinado momento, acreditamos nas motivações do personagem, em sua história e até torcemos por ele.

J.J. Abrams fez o filme de Star Trek com mais ação. A correria não para em momento nenhum e a edição contribui muito para isso. O 3D é excelente, um dos melhores que já vi. Há cenas com objetos vindo em nossa direção, algumas em que a profundidade dá a sensação de imensidão que um filme no espaço necessita e outras em que o 3D apenas compõe a cena, como é o caso dos tão presentes flares - eles enchem as cenas mais bonitas e saltam da tela várias vezes.

Além da Escuridão - Star Trek é um excelente filme para quem quer começar a ver as histórias de Kirk, Spock e cia, para quem já acompanha desde 2009 e, principalmente, para os fãs de toda a história que Gene Roddenberry criou há mais de 45 anos. Referências não faltam. Desde o grande mistério do filme até os pingos, planeta classe M, nave do Mudd, Klingons, miniaturas... São tantas referências que algumas até passam despercebidas. Mas o mais importante é que o filme respeita a série original, continua perfeitamente a história do novo arco do reboot e nos deixa com vontade de mais. Muito mais.

Uma pena J.J. Abrams estar deixando a direção. Ficaremos na torcida para que ele tenha o mesmo sucesso com o seu novo projeto. Nada menos do que o novo Star Wars. Vida longa e próspera para o "nerd-dono-do-espaço".












segunda-feira, 29 de abril de 2013

Eu sou o Homem de Ferro

O que você faria se quase fosse engolido por um "buraco de minhoca"? Ou se quase fosse morto por alienígenas com tecnologia super avançada e que ninguém sabe de aonde veio? Muitos não saberiam o que fazer. Tony Stark escolheu passar os dias criando e aperfeiçoando novas armaduras para proteger os que ama. Essa é a premissa que nos apresenta à Homem de Ferro 3, nova aventura do bilionário-ecêntrico-filantropo, que agora é dirigida por Shane Black (Beijos e Tiros e os roteiros da série Máquina Mortífera).

Enquanto Tony se isola, o mundo conhece um novo terrorista, Mandarim. O vilão invade redes de TV para mostrar seus atentados e desfere ataques verbais aos Estados Unidos. Quando uma dessas explosões atinge o solo americano e fere gravemente alguém próximo a Stark, o Homem de Ferro age impulsivamente, mas não é páreo para a retaliação. Com sua armadura destruída, Tony começa uma jornada atrás dos responsáveis pelos ataques.

O novo Homem de Ferro tem uma temática bem diferente dos anteriores. A mitologia já está construída, o mundo sabe que existem seres poderosos e que alguns lutaram ao nosso lado. Dessa forma o filme não se prende a mostrar ou ter momentos que criem esse universo. Na verdade os Vingadores são apenas citados como no caso  de "o homem do martelo". Mas tudo meio que está lá. Informações sigilosas são carregadas do banco de dados da S.H.I.E.L.D., por exemplo.

Homem de Ferro 3 é bem melhor que o seu antecessor, mas não alcança o nível do primeiro filme. Há momentos inspirados como os diálogos e as cenas de ação. As cenas da destruição da mansão de Stark e da queda do Força Aérea Um são sensacionais. Outra coisa que impressiona são os movimentos da armadura. Se o voo do primeiro filme e a mala-armadura do segundo eram sensacionais e a armadura que vestia Tony no ar em Os Vingadores era de tirar o fôlego, aqui a nova Mark 42 é um personagem do filme. A roupa quase tem vida própria e proporciona algumas das melhores cenas do filme.

Outro destaque fica para Ben Kingsley, fazendo uma excelente versão do Mandarim (ok, ela pode incomodar e muito os fãs das HQs, mas isso aqui é cinema). O vilão traz para o blockbuster debates como a criação da imagem de terroristas pela mídia e o pânico causado pelas mesmas (alguém ouviu falar sobre algo como uma caçada em Boston?).

Entretanto o filme tem alguns furos no roteiro e algumas piadas excessivas. Só para exemplificar (sem spoilers): os caras mudam completamente o rumo que organização dos Dez Anéis tinha no primeiro filme. Além disso, toda cena importante tem que terminar com uma piada. Talvez seja uma exigência da Marvel para os filmes ficarem leves. Talvez um cacoete do diretor, que já mostrou seu lado "cômico" em outros filmes. Mas a verdade é que em alguns momentos elas não soam naturais como no primeiro Homem de Ferro. Só um exemplo: no final do filme, Tony acabou de sofrer um baque e na cena seguinte faz uma gracinha. As vezes até o maior dos fanfarrões tem que agir seriamente.

Algumas dessas situações incomodaram, mas não deixaram de tornar Homem de Ferro 3 uma ótima diversão. No final das contas e nas palavras finais do filme temos a certeza de que grande parte dessa diversão tem um nome: Robert Downey Jr.. É impressionante como não há como imaginar Tony Stark sem o jeito ou as expressões de Robert. Não sabemos se Tony é o Robert ou se Robert é parecido com Stark. Só o que sabemos é que eles são o Homem de Ferro.

Ps.: Fiquem até o final. A cena pós-crédito é, mais uma vez, diferente do que já foi feito até agora nos filmes da Marvel, mas não deixa de ser ótima. E os créditos finais são excelentes. Uma mistura de Os Incríveis com séries de ação dos anos 1980.













segunda-feira, 22 de abril de 2013

Um bom mais do mesmo

ATENÇÃO: este filme pode conter altas doses de patriotismo, american way of life e tudo o que os "politizados" mais detestam.

Quase uma semana após os atentados na maratona de Boston fui assistir ao filme Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen, 2013), dirigido por Antoine Fuqua. A história do filme é batida, mas há elementos que expõem a paranoia norte-americana com o terrorismo. Na trama, Gerard Butler interpreta um agente do serviço secreto que depois de um acidente envolvendo a família do presidente (Aaron Eckhart) é afastado e colocado em um escritório. Quando a capital americana é atacada por um grupo norte-coreano e a Casa Branca é tomada, Butler se torna a última esperança do país.

Nada mais atual que tensão entre Coreias, atentados em solo americano e americanos tendo orgulho de "atos heroicos" de seus oficiais. O filme é um desfile de patriotismo. Desde a dramática cena da bandeira sendo arremessada para fora da Casa Branca, até o momento em que a secretária de estado jura fidelidade aos Estados Unidos. Tudo no filme exalta a paixão do povo pelo seu país, o que acontece inclusive no momento em que um dos vilões se arrepende do que fez e joga a culpa em "um momento de loucura". Um dos melhores simbolismos do filme se dá quando o protagonista, sem mais nenhuma arma, utiliza um busto de Abraham Lincoln como arma para amassar a cabeça de um dos invasores.

O elenco do filme ainda tem nomes como Morgan Freeman, interpretando o conselheiro que assume a presidência e, diretamente do Pentágono, ajuda Butler. O vilão é interpretado por Rick Yune, acostumado com o tipo de personagem desde 007 - Um Novo Dia Para Morrer. Angela Bassett, e Melissa Leo interpretam a chefe e a esposa de Butler, respectivamente. Além de Ashley Judd que aparece rapidamente no filme como a primeira dama.

No geral, Invasão à Casa Branca é um bom filme de ação, mesmo que tenha os clichês e furos no roteiro de sempre. Muito se deve ao talento de Fuqua em filmar cenas tensas e de tiroteio, o que já pode ser visto em Dia de Treinamento (seu melhor filme até hoje) e Atirador (aquele com o Mark Whalberg). O filme mostra o quanto os Estados Unidos vive a beira de um ataque de pânico com as ameaças ao seu território. Essa ferida sempre esteve aberta. Foi arregaçada com os acontecimentos de 11 de setembro e cutucada mais uma vez com as explosões em Boston. Entretanto, pelo menos aqui, sempre haverá um último bravo a resistir e a lutar pela sua bandeira.

Ah, e se você gosta desse tipo de filme, espere até setembro para ver O Ataque, com Channing Tatum e Jamie Foxx. O filme é dirigido por Rolland Emmerich, que já fez Independence Day e 2012. A história é praticamente a mesma e sabemos o gosto do diretor pela destruição, principalmente pela casa do Obama.








terça-feira, 5 de março de 2013

Bruce Willis sendo Bruce Willis

A franquia Duro de Matar completa 25 anos em 2013. Os complicados dias de John McClane já foram comandados por diretores como John McTiernan, Renny Harlin e Len Wiseman. Já tiveram vilões interpretados por Alan Rickman, William Sadler, Jeremy Irons e Timothy Olyphant. Mas nenhum deles seria nada se não fosse o carisma de Bruce Willis. Aos 57 anos, o ator continua um dos maiores astros do cinema e talvez o melhor quando o assunto é ação.

O carisma de Willis e as boas cenas de ação fazem de Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer um capítulo legal da franquia. A história mostra John McClane viajando até a Rússia para tentar ajudar o filho que está preso e envolvido em uma trama que envolve um empresário do alto escalão. Para variar só um pouquinho, McClane não tem uma boa relação com o filho, interpretado por Jai Courtney.

Jai e os vilões não são coisas do outro mundo. O filho de McClane é um exemplo da nova geração de soldados e seus fuzis e aparelhos com a mais alta tecnologia. Courtney ainda tenta emular alguns traços de Willis, mas fica difícil chamar a atenção do espectador quando se está ao lado de um cara que faz a mesma coisa, e bem, há mais de 20 anos. Já os vilões russos não metem muito medo. Em uma franquia que já teve os irmãos Gruber, interpretados por Alan Rickman e Jeremy Irons, em sua história, tem que ser muito mal para superar. Mesmo assim, todos tem seus destaques e nenhum  deles compromete o filme.

No momento em que os filmes de ação seguem a cartilha do "estamos muito velhos para isso", de Os Mercenários e RED, e não se deixam levar a sério demais, Bruce Willis é o destaque entre todos. E as bilheterias estão confirmando isso. Um Bom Dia para Morrer tem feito muito mais dinheiro que os últimos filmes solo de outros astros de ação. Carismático e divertido, Willis, McClane e Duro de Matar ainda tem muito o que contar. Ou melhor explodir.

Yippee Ki-Yay, Motherfucker!








terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Muito mais que barba e chapéu

Antes de falar de Lincoln, vou expressar o sentimento de escrever sobre um dos diretores que me fez gostar de cinema: Steven Spielberg. Por causa desse cara eu tenho esse blog e é por causa dele que tenho uma centena de filmes e já assisti outras tantas. Quando eu era pequeno assisti Jurassic Park e fiquei embasbacado. Assistia Indiana Jones sempre que podia. Tinha medo do Tubarão, adorava o E.T., comecei a gostar da Segunda Guerra com A Lista de Schindler e depois confirmei com O Resgate do Soldado Ryan. Spielberg, mesmo errando as vezes, é cinema e ponto.

Mas vamos ao que interessa. Lincoln conta o momento mais marcante da carreira política do amado, idolatrado e endeusado 16º presidente dos EUA. Ao contrário do que poderia ser uma biografia com toda a sua vida, o diretor foca na articulação para a libertação dos escravos com a aprovação da 13ª emenda. A Guerra entre a União e os Confederados já dura quatro anos. O lado do sul, agrícola e escravista, está enfraquecido. Entretanto o fim da guerra pode não viabilizar a aprovação. Lincoln e seus aliados começam um jogo, corrupto certas vezes, para conseguir o apoio necessário na câmara.

Lincoln é um filme de atuações. Spielberg deixa de lado as grandes sequências de ação e de guerra, para focar nos personagens. E são muitos. O Lincoln de Daniel Day-Lewis é, como toda atuação do inglês, sensacional. A voz mais fina, a serenidade e o andar encurvado, como se o peso da guerra não o deixasse levantar direito, nos faz acreditar que Abraham era realmente daquela forma. Em determinados momentos não enxergamos o ator dentro do personagem. Outra atuação excelente é a de Tommy Lee Jones, como Thaddeus Stevens. Jones deveria ganhar um Oscar pela melhor cara de rabugento da história. Duas cenas são sensacionais e marcantes. O momento de seu discurso na câmara é o ponto alto. Entretanto o momento da história em que a cara amarrada muda para a ternura é digna do Oscar ao qual está indicado.

Do resto do elenco, James Spader rouba todas as cenas em que aparece. Já Sally Field está um tom acima do que deveria ser a perturbada e rancorosa esposa de Lincoln. O filho do presidente, feito por Joseph Gordon-Levitt é totalmente dispensável e só traz mais um drama para o presidente. Spielberg conseguiu reunir bons nomes para seus papéis secundários como Jared Harris, David Strathairn, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Tim Blake Nelson, Lee Pace e outros que tem papéis pequenos, mas que cumprem o proposto.

Lincoln é um belo filme. A fotografia é linda, toda feita com a luz das velas e das janelas que compõem o ambiente, a música de John Williams está calma, sem querer aparecer mais do que a própria cena. A recriação da época também é impecável. A única coisa que me incomodou no filme foi o final. Spielberg tinha o final perfeito para o filme, mas buscou uma pieguice que, para mim, não havia necessidade. Nada que estrague seu trabalho, mas o diretor buscou uma emoção que talvez só os americanos tenham e que não precisava ficar exposta na tela a troco de nada.